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SEGUNDO ATO

 

FADE IN:

 

CENA EXT. VILAREJO AMAZONA - MANHÃ

 

Xena passeia pelo vilarejo, se dirigindo à câmara da assembléia. Ela está assobiando baixinho. De vez em quando, um sorriso aparece em seu rosto e ela mal pode controlá-lo.

 

Xena passa por Deliz e Raya, que conversam profundamente. Elas param quando ela se aproxima, e caem no silêncio, olhando fixa e ameaçadoramente para Xena.

 

Xena pára e olha para elas.

 

XENA

Algum problema?

 

 

RAYA

Nenhum problema que algumas verdadeiras

Amazonas por aí não possam resolver.

 

XENA

Vocês têm sorte.

 

RAYA

Oh? Você vai partir?

 

XENA

Não, vou me casar.

Vocês vão partir.

 

Deliz dá apoio moral a Raya, ficando atrás de Raya e parecendo muito imponente.

 

RAYA

Eu não vou a lugar algum.

 

Xena parece meramente entretida. Ela balança a cabeça e caminha adiante.

 

XENA

Isso não é verdade.

 

 

Deliz e Raya observam Xena partir.

 

RAYA

Se ela acha que uma união irá nos fazer deixar

nossas terras, ela é mais louca do que pensei.

 

DELIZ

Elas duas são loucas. Eu te disse que ela não tem

a intenção de nos ajudar. Provavelmente quer

nos vender como escravas em algum lugar.

 

RAYA

Não se eu puder evitar.

 

Raya e Deliz caminham até um pequeno grupo de Amazonas e começam a conversar com elas em um tom baixo.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. CABANA DOS DOCUMENTOS AMAZONAS - MANHÃ

 

A cabana está vazia. Há várias sacolas no chão, aparentemente para carregar os documentos das Amazonas quando elas partirem, mas nenhum foi empacotado ainda. Nota-se, pelas lacunas nos estojos de pergaminhos, que muita coisa se perdeu durante os anos.

 

Gabrielle entra na cabana, vestida em um traje de couro liso Amazona. Ela está de visível bom humor, apesar dos obstáculos. Quando ela cruza a sala, ela entra em um raio de sol vindo da janela, e pára por um momento para brincar com ele, curvando a mão e fazendo-a nadar pela luz como se esta fosse água. Ela dá uma risada, depois caminha até os estojos de pergaminhos.

 

GABRIELLE

Vamos ver. Ervas, Óleos, Confecção de armas...

não, não é isso... Cozinha... humm.

 

 

Gabrielle puxa o pergaminho sobre cozinha, o qual está em uma imaculada condição e obviamente nunca foi desenrolado.

 

GABRIELLE

(continua)

Isso explica algumas coisas.

 

Gabrielle coloca o pergaminho de volta e continua a procurar.

 

GABRIELLE

(continua)

Ah. Cerimônias. Aqui está.

 

Gabrielle retira o pergaminho, o qual é grande e de alguma forma esfarrapado. Ela caminha até a pequena mesa de junco no aposento e desenrola o pergaminho, se inclinando sobre ele e lendo o conteúdo.

 

Lentamente, a luz do sol no canto do quarto se reúne em uma semi-transparente figura. É Ephiny. Ela observa Gabrielle ler, com um saudoso sorriso no rosto.

 

Gabrielle sente a presença dela e olha para cima.

 

GABRIELLE

(continua)

(sorrindo)

Oi.

 

 

Ephiny caminha até ela.

 

EPHINY

Oi você. Vai me convidar

para a feliz ocasião?

 

Gabrielle dá uma risada. Ela se senta no banquinho atrás da mesa, com o pergaminho nas mãos. Ela sorri para Ephiny.

 

GABRIELLE

Absolutamente.

 

EPHINY

Então, você encontrou um jeito.

 

GABRIELLE

Xena encontrou.

 

Ephiny sorri.

 

 

EPHINY

Sim, ela encontrou, e ela conseguirá um

biscoito etéreo por finalmente colocar esse

sorriso no seu rosto. E, falando em tempo...

(pausa)

Você está de pé muito cedo.

 

Gabrielle descansa o queixo nos punhos.

 

GABRIELLE

Eu queria ter a chance de revisar a cerimônia...

ver no que estamos nos metendo. Isto não se

parece com nada que eu tenha visto antes.

 

 

EPHINY

Sim, eu sei. Há algo na cerimônia de união

sobre o qual eu queria conversar com

você... isso você não encontrará aí.

 

Gabrielle olha para Ephiny. Sua sobrancelha se levanta.

 

GABRIELLE

Eph, nós estamos apenas nos unindo.

Nós já fizemos de tudo o mais.

 

Ephiny gira os olhos.

 

EPHINY

Não é isso que eu...

 

GABRIELLE

Que bom, porque se eu achasse que você ia

se sentar aqui e me dar aquele discurso para

quem está entrando na maioridade, eu ia ter

que ao menos tentar te magoar.

 

Ephiny se apóia na mesa.

 

EPHINY

Eu aposto que iria, mas isto é sério,

Gabrielle. Há algo que eu acho que

você deveria saber antes de vocês

duas irem em frente com isso.

 

Gabrielle olha fixamente para Ephiny.

 

GABRIELLE

Agora que eu sei que Xena quer fazer

isso, não há nada que possa me

impedir de continuar com

isso, Ephiny. Nada.

 

 

EPHINY

Apenas ouça. Depois você decide.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. ACAMPAMENTO AMAZONA - MANHÃ

 

Xena está sentada perto da tenda da Rainha, afiando sua espada. Argo II apara a grama ali perto. É um dia ensolarado, e Xena admira o reflexo da luz na lâmina de sua espada enquanto trabalha.

 

 

Adélia entra na clareira e observa Xena por alguns minutos, depois se aproxima dela.

 

ADÉLIA

Xena.

 

Xena coloca sua pedra de amolar de lado e se levanta, girando sua espada em um oito, depois virando-a em um espiral sobre seu antebraço antes de apanhá-la e deslizá-la para a bainha nas suas costas.

 

XENA

Siiimmm?

 

ADÉLIA

Rumores dizem que você

finalmente tomou juízo.

 

XENA

Isso não tem nada a ver com as

Amazonas. Vocês apenas estavam

no lugar certo e na hora certa.

 

Adélia assente tristemente. Ela sabe disso.

 

ADÉLIA

Ainda assim, você estará executando um dos nossos

mais sagrados ritos. Um que pode terminar de

uma forma diferente do que você imagina.

 

Xena não gosta de como isso soa. Ela encara Adélia.

 

XENA

Do que você está falando?

É só uma cerimônia de união.

 

 

Adélia aponta para a cabana da rainha. Ela vai até a porta e a abre. Relutantemente, Xena entra. Adélia a segue.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. ACAMPAMENTO AMAZONA - MANHÃ

 

Raya, Deliz, e suas camaradas estão em uma clareira no mato, escondidas do resto do acampamento. Elas estão se armando cuidadosamente. Deliz amarra em si uma camisa de batalha feita com a carcaça de um porco-espinho, enquanto Raya afia sua espada. Duas outras Amazonas colocam pontas com uma substância preta e viscosa nas flechas.

 

Todas estão muito sérias.

 

RAYA

Nós iremos ter apenas um tiro com isso.

Façam valer. Vocês sabem quais

serão as conseqüências.

 

DELIZ

Eu não vou falhar

desta vez. Eu juro.

 

Uma das Amazonas puxa a corda de seu arco. Ele faz um som medonho e metálico.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. CABANA DOS DOCUMENTOS AMAZONAS - MANHÃ

 

Gabrielle está de pé e caminhando. Ela anda pela cabana, vai até a parede, se vira, caminha de volta. Ephiny está sentada de pernas cruzadas na mesa. A mesinha instável e débil nem dá sinal de peso algum ao apoiar a forma espectral de Ephiny.

 

GABRIELLE

Eu não entendi.

 

 

EPHINY

Gabrielle, você entendeu. Você sabe

do que estou falando. Você e Xena

já compartilham de um vínculo.

 

GABRIELLE

Não, não compartilhamos.

 

EPHINY

Claro que sim. Vai me dizer que você não sente e sabe

quando ela está em apuros? Vai me dizer que você não

sabia, no segundo em que você viu Autolycus, que Xena

estava dentro dele? Vai me dizer que você não rastreou

o caminho dela na metade do nada só por instinto?

 

 

Gabrielle pára de caminhar, percebendo que Ephiny está certa.

 

GABRIELLE

Bem... mas e daí?

 

EPHINY

E daí? Gabrielle, eu odeio ser a pessoa

que tem que te dizer isso, mas isso não é

algo que aconteça com todo mundo.

 

GABRIELLE

Eu pergunto de novo, e daí? E se nós tivermos

essa... coisa de conexão. E daí? Droga,

é algo bastante útil, se quer saber.

 

 

Ephiny corre a mão por seu cabelo cacheado. Mesmo como um fantasma, Gabrielle testa sua paciência.

 

EPHINY

Ouça. Nosso ritual de união

é um laço de sangue.

 

GABRIELLE

Eu já fiz isso com Xena.

 

EPHINY

Sim, eu sei. Mas este

é permanente.

 

Gabrielle caminha até ela e põe as mãos na mesa. Ela se inclina pra frente.

 

GABRIELLE

Que bom.

 

EPHINY

Gabrielle, se você já tem um laço com

Xena, isso poderá levar a um nível

que você não saberá como lidar.

 

Gabrielle considera. Ela finalmente balança a cabeça.

 

GABRIELLE

Eu não vou cair nessa. Não há nada sobre Xena

ou sobre nós com o qual eu não possa lidar,

depois de tudo que passamos.

 

EPHINY

Você não pode ter certeza disso.

 

Gabrielle se endireita reta.

 

GABRIELLE

Eu *tenho* certeza.

 

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. APOSENTOS DA RAINHA AMAZONA - MANHÃ

 

Há uma grande árvore de um dos lados da barraca da rainha. A área em volta está vazia. Lentamente, as folhas em um dos galhos mais baixos se afastam, e o rosto de Raya aparece. Ela observa a porta da tenda da rainha por um momento, depois ela se retira e as folhas deslizam, se fechando novamente.

 

A porta da tenda se abre, e Adélia sai. Ela parece aborrecida. Ela balança a cabeça enquanto se afasta da tenda da rainha, resmungando para si mesma.

 

ADÉLIA

Teimosa.

Tão teimosa quanto o rio Estige é longo...

 

O rosto de Raya aparece novamente depois que ela passa. Raya observa a porta intensamente. Depois de alguns segundos a porta se abre de novo e Xena emerge, de cara fechada. Sem hesitar, Xena anda a passos largos na direção oposta a Adélia, para dentro da floresta.

 

Silenciosamente, Raya desce caindo da árvore, seguida por Deliz e as outras. Elas saem rapidamente atrás de Xena, olhando em volta para ter certeza de que não estão sendo vistas.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. CLAREIRA NA FLORESTA - PERTO DO LAGO - DIA

 

Xena está sentada na beira do lago, perdida em seus pensamentos. Ela parece preocupada com algo. Ela pega pequenas pedras, mas em vez de jogá-las na superfície do lago, ela as arremessa violentamente para dentro das árvores ali perto, observando-as saltarem.

 

Xena olha para cima, erguendo a cabeça para um lado como que ouvindo algo bem longe.

 

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. CABANA DE DOCUMENTOS AMAZONAS - DIA

 

Gabrielle se senta sozinha na cabana. Ela está estudando o pergaminho da cerimônia, e tomando notas em um esfarrapado pedaço de papel de pergaminho e uma pena velha.

 

Gabrielle pára, olhando para seu trabalho e pendendo a cabeça para o lado, como se estivesse ouvindo um som fraco em algum lugar.

 

GABRIELLE

O que foi agora?

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. CLAREIRA NA FLORESTA - PERTO DO LAGO - DIA

 

Xena olha em volta para ter certeza de que está sozinha, depois fala bem alto para si mesma.

 

XENA

O que foi agora?

 

 

Xena parece presa entre a consternação e uma sombria aflição.

 

Atrás de Xena, no círculo de árvores densas, sombras lentamente se dissolvem em serenas e silenciosas faces.

 

Lentamente, Xena desenrola um pacote que ela carregou até o lago. O raio do sol revela as duas facas de vínculo que ela tomou de Adélia.

 

Xena toma uma faca em cada mão e as examina.

 

Raya ergue o braço, pronta para acenar para as Amazonas irem em frente.

 

Com um rápido movimento, Xena saca as facas no ar - elas voam na direção do lago, girando mais e mais até atingirem a superfície e desaparecerem deixando semelhantes ondulações sobrepostas atrás delas.

 

 

Raya dá o sinal, e as Amazonas atacam.

 

 

FADE OUT.

 

FIM DO SEGUNDO ATO

 

TERCEIRO ATO