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QUARTO ATO

 

FADE IN:

 

CENA INT. TEMPLO EGÍPCIO - CÂMARA INTERNA - POUCO TEMPO DEPOIS

 

O quarto está em uma destruição absoluta. Xena tentou usar cada pedaço de mobília ou decoração de parede para forçar a abrir a porta.

 

Xena levanta uma estátua de mármore e caminha adiante, arremessando-a contra a porta em um ato de total frustração. A estátua se rompe em pedaços com um imenso barulho mas o portal continua intocável.

 

XENA

(gritando)

Filho de uma Bacante.

 

Gabrielle entra.

 

GABRIELLE

Obrigada. Eu estava tendo alguma

dificuldade para encontrar você.

 

 

Xena se vira e pega um cálice, lançando-o contra a parede oposta. Ele quica e aterrissa com um tinido.

 

XENA

Maldito.

 

Gabrielle caminha até ela e retira o Olho de Hefesto de debaixo de seus mantos.

 

GABRIELLE

Eu peguei.

 

Xena olha fixamente para o Olho.

 

GABRIELLE

(continua)

Você encontrou Ares?

 

XENA

Oh, eu o encontrei perfeitamente. Ele está

com um cara que tem cabeça de cachorro,

quebrando o chakram bem ALI dentro!

 

Gabrielle olha para a porta.

 

GABRIELLE

Ali dentro? O que você

quer dizer, quebrando?

 

Xena se senta em uma das remanescentes cadeiras. Ela está visivelmente aborrecida.

 

XENA

Ele o está dividindo em seus

dois lados, o escuro e o da luz.

(pausa, desgostosa)

Adivinha qual dos dois ele quer.

 

Gabrielle caminha até a porta interior e a examina.

 

GABRIELLE

Para te arrastar de volta pra ele?

 

XENA

Algo assim.

 

 

Gabrielle balança a cabeça.

 

GABRIELLE

O mesmo de sempre.

(suspirando)

Bem, nós temos o Olho.

Vamos fazer uso dele.

 

Xena se levanta e caminha até Gabrielle. Ela toma o Olho dela, e olha para ele.

 

XENA

Você conseguiu. Os deuses daqui

simplesmente desistiram dele?

 

GABRIELLE

Não. Qetesh o tinha. Ela é a

deusa do amor para eles.

 

XENA

E?

 

GABRIELLE

(friamente)

Eu dei a ela algo que

ela valorizava, em troca.

 

Xena olha fixamente para Gabrielle. Gabrielle olha calmamente de volta para ela. Depois de um minuto, os olhos de Xena caem baixos.

 

XENA

Tudo bem. Vamos.

 

Xena e Gabrielle se viram para partir, quando ouvem passos ligeiros se aproximando.

 

GABRIELLE

Ô-ou.

 

XENA

É. Venha.

 

Xena puxa Gabrielle para trás da porta da sala e a segura fortemente enquanto a porta irrompe aberta e um pelotão de guardas egípcios invade o lugar. Eles olham para a destruição do quarto.

 

O líder dos guardas força a porta interna, depois se vira, aparentemente satisfeito.

 

CAPITÃO DA GUARDA

Por ali! Elas devem ter

ido atrás do tesouro!

 

Os guardas saem correndo. Depois de um momento de silêncio, Xena balança a porta aberta e solta Gabrielle. Elas espiam pela porta cuidadosamente, depois partem correndo.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. TEMPLO DE ARES - NOITE

 

Ares está de pé no centro de seu templo. Ele está cercado por um brilho púrpura escuro, o qual delineia seu corpo e ilumina o lado interno do templo.

 

ARES

Humm.... como eu pude

ter deixado isto passar?

 

 

Ele lentamente começa a se virar. Enquanto o faz, uma luz se estende e toca o interior do templo. Onde ela toca, o templo se transforma de um salão maltratado e cheio de entulhos para um lugar sedutor.

 

O altar quebrado é refeito, e as paredes se concluem, se tornando inteiras e drapeadas com veludos rubros e negros.

 

Ares ergue o Chakram Escuro. É um perfeito círculo familiar, com pedras brilhantes em sua borda, simples e reluzindo de poder.

 

ARES

(continua)

Agora a parte divertida.

 

Ares fecha os olhos e lá fora ouve-se um estrondo de trovão.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. TEMPLO EGÍPCIO - CATACUMBAS - NOITE

 

Xena e Gabrielle descem pelo corredor na direção de uma porta aberta, com o pelotão de soldados correndo atrás delas. Elas correm para dentro de um quarto em uma perfeita sincronicidade, desembainham suas armas, viram de frente para seus perseguidores, e deixam sair gritos do topo de suas vozes.

 

XENA E GABRIELLE

IÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!

 

Os guardas se vêem lutando por suas vidas. Eles combatem Xena e Gabrielle, mas logo se torna óbvio que eles estão prestes a serem superados em força e capacidade.

 

Xena se ocupa do mais próximo, trocando golpes entre sua espada e a arma dele, que parece um machado curvo. Ele tenta cortar a mão dela fora, mas Xena gira e engancha o machado na lâmina de sua espada, puxando o homem sobre seu ombro e o descarregando no chão.

 

Gabrielle pega outro homem com arma curva, com um gancho agudo de seu sais, chutando-o na virilha enquanto eles se debatem para dominar um ao outro. O homem se curva, e Gabrielle puxa seus sais livremente e o atinge com o cabo deles no topo da cabeça do homem. Ele cai.

 

Dois outros homens atacam em grupo, um deles tentando espetar Gabrielle e Xena com sua lança, enquanto o outro as golpeia com sua espada.

 

Trabalhando em equipe, Xena e Gabrielle os desarmam um após o outro, Xena agarra o braço com espada de um homem enquanto Gabrielle chuta a espada da mão dele, depois Gabrielle deixa uma lança passar por ela e a apanha enquanto Xena salta no ar e se vira em um arremesso, pegando o homem pelo pescoço com ambos os pés e enviando-o ao chão.

 

CAPITÃO DA GUARDA

Elas são demônios!

 

 

XENA

Não desta vez.

 

Xena surra um guarda, que é arremessado para trás sobre a forma ajoelhada de Gabrielle. Gabrielle o acerta em cheio no queixo com seu cotovelo quando ele cai.

 

O último homem se vira e foge, chamando por ajuda.

 

Xena esfrega as mãos, e embainha sua espada. Ela agarra o braço de Gabrielle e elas correm descendo os degraus para dentro das catacumbas.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. TEMPLO DE ARES - MANHÃ

 

O sol se levanta sobre o templo restaurado de Ares. Ele caminha para fora e se espreguiça, admirando o produto de seu trabalho. Na frente do templo está uma estrada, e quando ele olha para ela nós podemos ver cidades na distância.

 

Há um gongo do lado de fora. Ares pega o bastão ao lado dele e o deixa voar, fazendo o gongo soar com um barulho medonho.

 

O eco flui descendo pela estrada. Bem longe, figuras em movimento param, e olham para cima, na direção do templo.

 

Ares aparece ao lado dele. O templo restaurado brilha com uma luz vermelho-ouro, pulsando contra as nuvens. Ele ri. Ele bate o gongo novamente e novamente, enviando um chamado que as pessoas ali abaixo parece ouvir, e começam a obedecer.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. NAVIO - AO MAR - COMEÇO DA NOITE

 

Gabrielle se senta perto da proa. Está nublado, e um esguicho vem dos mares tempestuosos ao parapeito do barco. O rosto de Gabrielle está aproximadamente da mesma cor da água, e ela parece indisposta.

 

 

Xena aparece e se senta perto dela. Ela segura uma caneca, e depois de rodá-la nas mãos, ela a oferece a Gabrielle.

 

XENA

Isto deve ajudar.

 

Gabrielle toma a caneca. Ela bebe, depois a coloca de lado e olha para as nuvens.

 

GABRIELLE

Lamento termos corrido atrás de um barco.

 

XENA

Era o último de volta para casa,

Gabrielle. Você preferiria andar?

 

GABRIELLE

Deixe-me retribuir isso a você.

 

Elas ficam sentadas juntas em silêncio por um momento.

 

XENA

Eu estive pensando.

 

GABRIELLE

Hum.

 

XENA

Desta vez tem que ser definitivo, pelo bem, Gabrielle.

Nós não podemos simplesmente... cair em qualquer

que seja o jogo que Ares esteja jogando desta vez.

 

Gabrielle se endurece reta e olha para Xena.

 

GABRIELLE

Ah. Pelo bem maior, certo?

 

Xena descansa o braço no joelho e balança a cabeça.

 

XENA

Não. Por nós.

 

 

GABRIELLE

Nós?

 

XENA

Enquanto ele tiver aí fora, ele irá me

querer. E enquanto ele me quiser,

você e eu nunca iremos ter paz.

 

Gabrielle parece sem fala. Xena não olha para ela. Ela observa o mar sem fim.

 

 

XENA

(continua)

Eu quero paz.

(balançando a cabeça)

Para nós.

 

Gabrielle se vira e encara Xena.

 

GABRIELLE

Xena, eu vou te perguntar algo,

e eu quero que você me diga a

verdade, não importa qual seja.

 

Xena espera.

 

GABRIELLE

(continua)

Ele é seu pai?

 

 

Xena parece quase aliviada com a questão, embora ela estivesse esperando algo mais.

 

XENA

Não.

 

GABRIELLE

Mesmo embora ele...

 

XENA

Mesmo embora ele tenha dito isso. Ele mentiu.

 

Gabrielle assente.

 

XENA

(continua)

Agora, eu vou te perguntar algo,

e eu quero a verdade.

 

Gabrielle espera.

 

XENA

(continua)

Sobre o Olho...

 

GABRIELLE

Foi dado a Qetesh como

proteção, por Set,

deus da luxúria.

 

XENA

Sim, mas...

 

GABRIELLE

Eu troquei a proteção

dela por outra.

 

Xena franze a testa, depois seus olhos vão do rosto de Gabrielle para suas costas, escondidas sob o capote. Ela olha de volta para o rosto de Gabrielle, em dúvida.  Gabrielle sorri.

 

XENA

Você desistiu do dragão?

Gabrielle, aquilo...

 

GABRIELLE

Foi destinado... a substituir você.

 

Gabrielle olha para o mar.

 

GABRIELLE

(continua)

Você me deu ele porque você sabia

que não estaria mais por perto e você

achou que ele poderia me ajudar.

 

Xena está em silêncio.

 

GABRIELLE

(continua)

Eu o odiava.

 

Xena assente, compreendendo.

 

XENA

Isso não vai ser fácil. Quando nós

voltarmos, ele terá tido tempo de

construir um séqüito de adeptos.

 

 

GABRIELLE

Não importa como vai ser, nós iremos fazer isso.

 

Gabrielle coloca a mão na bochecha de Xena, depois se inclina na direção dela e a beija apaixonadamente. Elas se afastam.

 

XENA

Sentindo-se melhor?

 

Gabrielle sorri.

 

GABRIELLE

Muito. E você?

 

Xena assente, e também sorri. O navio se lança para cima repentinamente, e colide para baixo em uma onda que varre a proa e encharca as duas.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. TEMPLO DE ARES - SEMANAS DEPOIS - NOITE

 

O cenário é totalmente diferente agora. Do lado de fora do templo de Ares está um imenso acampamento, cheio de centenas de homens e mulheres. A bandeira de Ares tremula sobre a tenda, e é óbvio que estes são seus novos acólitos.

 

É um acampamento de guerra, com armas empilhadas por todos os lados, e homens treinando luta por todos os cantos, esperando atrair o olhar de Ares. Mas há mulheres aqui também. Lutando, e como criadas. Elas cozinham e limpam em volta dos lutadores, usando as cores vermelhas de Ares amarradas em seus braços superiores, orgulhosamente.

 

O templo de Ares está agora um magnífico edifício. Painéis dourados se enfileiram na frente, e as escadas foram cobertas com tábuas de mármore. Tochas iluminam a entrada, e uma fileira de guardas está de pé diante do templo, com armas brilhando a um olhar quase árduo.

 

Ares aparece no telhado do templo, deitado de lado e revendo seus novos adoradores com um grande e sexy sorriso.

 

ARES

Agora sim está mais a minha cara.

 

 

Um grupo de seis homens marcham subindo os degraus, trazendo um baú. Eles caminham para dentro do templo.

 

ARES

(continua)

Oo... Fico imaginando se há

uma virgem dentro dele.

 

Ares ri, depois gira, deitando de costas, e olha para as estrelas, colocando as mãos atrás da cabeça.

 

ARES

(continua)

Perfeito.

(pausa)

Quase.

 

Ares se senta e dependura suas pernas nas beiradas do telhado. Ele olha para a escuridão... além da multidão, além das tochas.

 

ARES

(continua)

Onde está você, Xena? Eu posso

sentir você aí fora... eu sei que você

pode sentir eu lhe chamando.

 

 

Ares levanta o Chakram Escuro e olha para a lua através dele.

 

ARES

(continua)

Você pode sentir isto. Você quer.

Você sempre quis.

(pausa)

Venha até mim.

 

Ares fecha os olhos, e o chakram brilha.

 

CORTA PARA:

 

FLORESTA DO LADO DE FORA DO TEMPLO DE ARES - NOITE - AO MESMO TEMPO

 

Um feixe de luar contorna os olhos de Xena. Ela está de pé nas sombras das árvores, olhando para o novo templo de Ares, e para a multidão em volta dele.

 

Gabrielle caminha até o lado dela.

 

GABRIELLE

Olhe para eles.

 

 

XENA

Tolos.

 

Gabrielle hesitantemente balança a cabeça.

 

GABRIELLE

São mesmo? Talvez algumas pessoas

precisem de algo em que acreditar, Xena.

 

Xena se vira e olha para ela como se ela tivesse perdido o juízo.

 

XENA

Quê?

 

Gabrielle sorri brevemente.

 

GABRIELLE

Não quis dizer nele. Falei em geral. Eu costumava

pensar que, em algum lugar lá fora, eu encontraria

algo em que eu pudesse depositar a minha fé.

Em que eu pudesse