Guia de Episódios Prólogo Primeiro Ato Segundo Ato Terceiro Ato Quarto Ato

PRIMEIRO ATO

 

FADE IN:

 

CENA EXT. ACAMPAMENTO - MANHÃ

 

Gabrielle está muito profundamente adormecida, tendo passado a maior parte da noite afugentando os pesadelos de Xena. Somente com o alvorecer é que ela finalmente consegue fechar os olhos para um descanso altamente merecido.

 

Xena, por outro lado, está de pé e pronta para o dia. Ela já matou e tirou a pele de vários coelhos e os está fritando na frigideira depois de cobri-los com vários temperos roubados da escondida bolsinha secreta de Gabrielle. Um pote menor está aquecendo água para fazer chá.

 

Agachada perto do fogo e cutucando o coelho frito com um fino item de metal semelhante a uma espátula, ela funga enquanto percebe o som de alguém tentando entrar sorrateiramente no acampamento.

 

Sem olhar, ela ergue a espátula, apontando na direção do saqueador ainda escondido da vista.

 

XENA

Eu não faria isso, se fosse você.

 

Todos os sons cessam quando o bandido congela em seus rastros, surpreso por ter sido notado.

 

Um momento depois, ele arrisca se mover adiante novamente, vendo Xena calmamente voltar às suas tarefas de cozinheira.

 

XENA

(continua)

Eu não estou brincando.

 

Xena gesticula para trás com a espátula.

 

XENA

(continua)

Ela fica realmente muito mal-humorada

quando não dorme o suficiente.

 

O bandido olha além da cobertura de árvores e para dentro do acampamento, onde ele vê Gabrielle pacificamente descansando em uma pilha desordenada de peles. Ele ri e começa a ir em frente novamente.

 

Xena suspira, embora seus olhos estejam cintilando.

 

XENA

(continua)

Não diga que eu não lhe avisei.

 

 

Sem olhar para cima, Xena habilmente arremessa a espátula, afundando-a no braço do bandido, fazendo-o grunhir e soltar sua arma. Seus companheiros saem correndo passando por ele e para dentro da clareira, com as próprias armas erguidas.

 

Mergulhando por cima do fogo, Xena gira e se ergue entre dois dos homens, agarrando-os pela frente de suas armaduras que não combinam e batendo a cabeça deles juntas. Deixando um deles cair, ela levanta o outro e o lança por sobre o ombro, onde ele pousa, com um som surdo, à esquerda de uma adormecida Gabrielle.

 

GABRIELLE

Agora não, Xena.

 

Gabrielle gira para o outro lado e se aconchega dentro das peles.

 

Sorrindo, Xena derruba ainda outro atacante com um rápido soco direto no queixo, depois o joga por sobre o ombro, onde ele pousa inconsciente do outro lado de Gabrielle.

 

GABRIELLE

(continua)

Xena… por favor?

 

Xena se vira a tempo de evitar ser rasgada pelo bandido líder, que recuperou sua arma e está atacando-a em um golpe desajeitado com a mão esquerda. 

 

Abaixando-se para desviar do ataque, ela se ergue, o vira de cabeça para baixo, e o empurra para trás. Ele tropeça entre a fogueira e aterrissa em um amontoado aos pés de Gabrielle.

 

Gabrielle já se encheu. Girando para ficar deitada de costas, ela se senta, afastando com raiva as franjas de sobre seus olhos apenas a tempo de ver uma sorridente Xena segurando a frigideira que ela conseguiu resgatar do bandido cambaleante. 

 

Gabrielle olha para seus três convidados, depois olha de volta para Xena. Seus olhos se estreitam, focando na frigideira.

 

GABRIELLE

(continua)

Você não...

 

 

O sorriso de Xena é impenitente.

 

XENA

Café da manhã?

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. TRILHA NA FLORESTA - MEIO DA MANHÃ

 

O tempo esfriou, e Xena e Gabrielle estão ambas enroladas em seus casacos de pele enquanto viajam descendo pela trilha da floresta. Gabrielle, em consideração a suas recentemente curadas costas e pernas, está montada em Argo enquanto Xena caminha na frente conduzindo o cavalo.

 

Gabrielle se mexe na sela e suspira.

 

GABRIELLE

Xena.

 

XENA

Hum?

 

GABRIELLE

Nós podemos parar agora? Eu quero

descer e caminhar um pouco.

 

XENA

Gabrielle, eu sei que você está pensando que eu estou

lhe mimando, mas se você quer chegar em Potedia a

tempo do Solstício, nós precisamos nos mover rápido,

e eu não quero estender demais os seus músculos.

 

GABRIELLE

Eu sei disso, mas...

 

Xena pára, se vira e se aproxima de sua parceira, pousando uma mão em seu joelho.

 

XENA

Se você quer mesmo andar, Eu não vou lhe

deter. Eu só... não quero ver você com dor.

 

Gabrielle lê muitas mensagens nas feições angustiadas de Xena, e suspira uma vez mais.

 

GABRIELLE

Okei. Eu suponho que um pouco mais de

tempo neste animal não irá me matar.

 

Argo relincha, altamente ofendida.

 

GABRIELLE

(continua)

Desculpe, Argo.

 

Argo relincha novamente.

 

Sorrindo, Xena dá um tapinha na perna de Gabrielle, mas antes que ela possa se virar, ela congela, com a cabeça espichada.

 

GABRIELLE

(continua)

Mais bandidos?

 

XENA

Seis. Bem à frente.

 

 

Gabrielle gira os olhos.

 

GABRIELLE

O que está havendo? Achei que nós já tínhamos

esgotado nosso requisito de uma luta por dia.

 

XENA

Aparentemente não.

(pausa)

Gabrielle...

 

GABRIELLE

(exaltada)

Não me diga para esperar aqui, Xena, porque eu

vou lhe bater na cabeça com meu cajado se você

falar uma só palavra completa desse comando.

 

Xena sorri. 

 

XENA

Apenas esteja pronta.

 

O ar está repentinamente vivo com os sons dos homens gritando. Bandidos as atacam, em uma fila única ao longo da estreita trilha

 

Rindo para si mesma, Xena agarra o primeiro bandido, o vira e o arremessa na direção de Gabrielle, que efetua parte de sua ameaça anterior e o bate na cabeça com seu cajado. Ele cai em uma poça de lama no chão.

 

Os bandidos número dois, três, quatro e cinco são despachados da mesma maneira até Argo ficar cercada de homens inconscientes. Ela expressa seu desprazer um tanto ruidosamente.

 

Balançando a cabeça, Xena agarra as rédeas de Argo e leva tanto o cavalo quanto a amazona para fora do que sobrou dos atacantes.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. VALE ESTREITO E PROFUNDO NA FLORESTA - COMEÇO DA TARDE

 

Um pequeno córrego, parcialmente congelado, corre através do vale. Argo lambe da água enquanto Xena e Gabrielle embrulham o último de seus lanches leves, preparando-se para voltar à trilha. Enquanto elas o fazem, ambas escutam os sons inconfundíveis de ainda outro grupo de bandidos indo na direção delas.

 

GABRIELLE

De novo não!

 

Gabrielle olha para o céu.

 

GABRIELLE

(continua)

Quem fez xixi no seu

mingau esta manhã?

 

 

Os jovens homens, não tão velhos o suficiente para terem barba ainda, irrompem na clareira, com armas em punho. Suas espadas são quase tão longas quanto eles e é óbvio que eles nunca viram um dia de luta em suas vidas.

 

Xena chuta o primeiro de lado, que passa voando quase em cima de Gabrielle. Ela o desarma facilmente, depois o cutuca por trás com a ponta do sai, fazendo-o sair gritando pela floresta.

 

Xena golpeia o pescoço do segundo garoto, que instantaneamente cai de joelhos, com uma fina trilha de sangue escorrendo de seu nariz.

 

Xena se agacha perto dele, com um olhar furioso.

 

XENA

Você conhece a instrução.

 

JOVEM

(sufocando)

Trinta segundos... sem sangue... morto...

 

XENA

Garoto esperto. Tão esperto que tenho certeza que será capaz

de responder minha pergunta sem nenhuma confusão afinal.

 

O jovem assente.

 

XENA

(continua)

Por que o repentino interesse em nos atacar?

Há outra recompensa que eu ainda não sei?

 

JOVEM

S… suave.

 

Xena olha para Gabrielle, que encolhe os ombros.

 

XENA

Suave?

 

JOVEM

Você! Ficou... suave... sem chakram…

fácil de... matar... ficar famoso... por favor!

 

GABRIELLE

Xena...

 

Soprando ar em ira, Xena desfaz o golpe no garoto, depois o puxa pela frente de sua convulsão, erguendo-o facilmente a dois pés do chão com nenhum esforço visível afinal.

 

XENA

Isto parece 'suave' pra você, garoto?

 

 

Os olhos do garoto se alargam como dois discos.

 

JOVEM

Nã-não.

 

XENA

Boa resposta.

 

Abanando as mãos, Xena desengancha o chakram da cintura. Ela o ergue para que o jovem possa facilmente vê-lo.

 

XENA

(continua)

Já que você é tão bom em responder

perguntas, eu tenho outra para você.

Como se chama isso?

 

JOVEM

O seu chakram.

 

XENA

Correto de novo. Eu sabia que

você era um garoto esperto.

(pausa)

Entããoo... se este é meu chakram,

o que isso significa?

 

Silêncio enquanto o jovem homem pensa nisso. A resposta vem a ele e seus olhos se alargam ainda mais, quase parecendo engolir seu rosto de pele de pêssego.

 

JOVEM

Você voltou!

 

Xena mostra os dentes em um sorriso jubiloso.

 

XENA

Correto novamente.

 

JOVEM

Do D-Deus da Guerra! Você... você

pegou seu chakram de volta com Ares!!

 

Xena coloca o jovem homem no chão, de pé.

 

XENA

Parabéns. Você ganhou o prêmio.

 

 

JOVEM

Minha… minha vida?

 

XENA

Bem, isso, e um conselho de amiga.

(pausa)

Volte para casa até ficar velho o

suficiente para se barbear. E, depois disso...

 

O garoto assente, olhando ansiosamente para ela.

 

XENA

(continua)

Eu escolheria outra linha de trabalho

se eu fosse você. Você é esperto

demais para ser um bandido.

 

JOVEM

(feliz)

S-sim, senhora!

 

Xena se endireita reta e olha para Gabrielle.

 

XENA

(movimentando os lábios)

Senhora?

 

Gabrielle cruza os braços e sorri maliciosamente.

 

XENA

(continua)

Anda, saia daqui antes

que eu mude de idéia.

 

O jovem homem sai correndo tão rápido quanto suas pernas podem levá-lo, o que é relativamente rápido.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. TRILHA NOS PRADOS - MEIO DA TARDE

 

Xena e Gabrielle estão caminhando descendo por uma trilha sulcada por uma carroça que teceu seu caminho por um vasto prado. A grama está marrom e quebradiça, e um vendo frio e mordaz sussurra e geme ali. Tremendo, Gabrielle puxa seu casaco mais firmemente em volta dela. Vendo isto, Xena coloca um braço em volta dos ombros de sua parceira e a puxa mais para perto.

 

Gabrielle sorri para ela.

 

GABRIELLE

Obrigada.

 

XENA

O prazer é meu.

 

As duas ouvem um fraco som surdo e prolongado, e param, olhando para o leste.

 

GABRIELLE

Lá vamos nós de novo.

 

XENA

Se eles são atacantes,

há um exército deles.

 

Outro som fraco alcança seus ouvidos.

 

GABRIELLE

Pastores de ovelhas?

 

 

Argo relincha e se afasta para trás, puxando-se de suas rédeas. Xena e Gabrielle dão um passo atrás a tempo de evitar serem esmagadas por um pequeno rebanho de ovelhas que cruza o caminho delas.

 

Um momento depois, um jovem garoto pastor aparece e pára na frente delas, se inclinando e ofegando por ar.

 

PASTOR

Ajudem-me. Oh, por favor, ajudem-me.

 

XENA

Essas são suas ovelhas?

 

PASTOR

Sim, e este é meu primeiro dia. Meu pai

me disse para não deixá-las fora do

pasto, mas algo as assustou, e...

 

GABRIELLE

Tudo bem. Nós entendemos.

 

PASTOR

Meu pai vai arrancar meu couro se eu as perder, sei

que vai! E elas estão indo para o despenhadeiro!!

 

Suspirando, Xena solta Gabrielle e se move na direção de Argo.

 

PASTOR

(continua)

Não! Elas têm medo de cavalos! Com

certeza você vai espantá-las ainda

mais! Oh, meu pai vai me matar!

 

Balançando a cabeça, Xena entrega as rédeas de Argo para Gabrielle e caminha até o garoto.

 

XENA

Fique aqui e esteja pronto para arrebanhá-las

quando elas voltarem por este caminho.

 

 

PASTOR

Mas como?

 

XENA

Deixe isso comigo.

 

Soltando seu grito de guerra, Xena sai correndo atrás das ovelhas fugitivas. Seu grito as assusta, e elas diminuem de velocidade por apenas um momento antes de começar a se moverem novamente. A momentânea hesitação era tudo de que Xena precisava. Ela alcança a retaguarda do rebanho e salta, girando em um arremesso fechado e aterrissando na frente delas, a meros passos da beirada do despenhadeiro. Ela joga os braços para cima.

 

XENA

(continua)

HAH!!!

 

Incapazes de parar, as ovelhas colidem com ela, quase a esmagando entre seus corpos fedorentos e retorcidos. Afundando o pé, ela segura a fileira, quase sufocando com o fedor. As ovelhas finalmente fazem uma parada confusa. Os calcanhares de Xena literalmente oscilam na beirada do despenhadeiro, e ela cospe fora uma boca cheia de lã úmida.

 

Resistindo ao anseio quase opressor de transformar suas indesejadas encarregadas em costelas de cordeiro, ela - em vez disso - empurra as ovelhas líderes de modo a virá-las de frente para onde estão o Pastor e Gabrielle.

 

 

XENA

(continua)

Andem! Vão!

 

As ovelhas olham para ela, berrando.

 

XENA

(continua)

AGORA!!!

 

O rebanho se vira todo de uma só vez e começa a correr de volta na direção em que veio. Gabrielle afasta Argo do caminho, e o jovem pastor corre adiante, puxando uma flauta de Pã da sua mochila, e começando a tocá-la.

 

As ovelhas instantaneamente se acalmam e se aproximam do garoto, cercando-o e balindo felizes.

 

Xena caminha até o grupo, limpando sujeira de ovelha de seus braços e pernas e parecendo decididamente irritável. Gabrielle se aproxima dela, depois se afasta, abanando o ar na frente do rosto. Xena lhe lança um olhar. Gabrielle sorri.

 

PASTOR

Obrigado, oh, obrigado!

Você as salvou e a mim também!

 

XENA

(sorrindo fracamente)

Sem problemas.

 

PASTOR

Bem, eu tenho que ir agora antes que

meu pai descubra que eu parti.

(pausa)

Ei! Da próxima vez que vocês estiverem por este estreito

da floresta, venham nos fazer uma visita! Nós temos

o maior rancho de ovelhas da área!

 

GABRIELLE

Nós faremos isso.

 

 

PASTOR

Vocês não podem nos deixar passar.

 

XENA

(secamente)

Eu não imaginei que poderíamos mesmo não.

 

PASTOR

É só olhar a placa que diz

PEEP. Ele é o meu pai.

(radiante)

Eu sou o Beau.

 

Dizendo isto, o jovem rapaz sai pulando alegremente de volta para dentro da floresta, levando suas ovelhas perdidas para casa.

 

CORTA PARA:

 

CENA EXT. RIBANCEIRA DO RIO - FINAL DA TARDE

 

Xena e Gabrielle alcançaram um platô relativamente alto na montanha e pararam diante de um largo e congelado rio.

 

Gabrielle olha duvidosamente para o rio.

 

GABRIELLE

Acha que o gelo está denso o suficiente

para nos segurar? É um tanto

cedo nessa estação.

 

XENA

Não é conosco que eu estou

preocupada. É com Argo.

 

 

Argo relincha, concordando.

 

Assim que Xena dá um passo para fora da margem para testar a força do gelo, um som agudo e penetrante é ouvido pelo ar.

 

GABRIELLE

Isso foi um grito?

 

Elas olham para cima quando um gigantesco CRACK é seguido por mais gritos aterrorizados.

 

XENA

Venha!

 

O par corre ao longo da ribanceira do rio e em volta de uma extensa curva até conseguirem ver a causa da gritaria.

 

Um