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QUARTO ATO

 

FADE IN:

 

CENA EXT. ACADEMIA - MANHÃ

 

Xena e Gabrielle fazem seu caminho desapercebidas saindo da vila de Twickenham e começando a ir na direção do centro da cidade. Na distância, elas podem ver e ouvir um palco sendo erguido perto do chafariz principal.

 

Gabrielle localiza Homero parado alto entre um grupo de seus camaradas, muitos dos quais ela reconhece dos seus próprios dias de Academia, incluindo Twickenham, e um outro. Seu rosto se ilumina em um sorriso.

 

GABRIELLE

Aquele é Eurípides! Pelos deuses,

eu não pensei nele por anos! Ele

contava as histórias mais terríveis!

 

XENA

(resmungando)

Elas não estão muito melhores agora.

 

‘Gabrielle’ se vira de olhos alargados para sua parceira.

 

GABRIELLE

Espera aí. Você o conhece?

 

 

XENA

Vamos apenas dizer que nós trocamos umas palavras.

(pausa)

E se a voz dele estiver mais aguda

do que você se lembra....

 

Parando, ‘Gabrielle’ coloca uma mão no pulso de ‘Xena, também fazendo-a parar.

 

GABRIELLE

Você não fez....

 

XENA

Oh, muito certamente que fiz.

 

GABRIELLE

Quando? Onde?? Por quê???

 

XENA

(sucintamente)

Noite passada. Na recepção. Porque

ele tinha coisas um tanto menos

lisonjeiras a dizer sobre você.

 

Gabrielle parece bastante confusa.

 

GABRIELLE

Tem certeza de que estamos

falando do mesmo Eurípides?

 

XENA

Se você está falando sobre o homem

bem ali praticamente todo drapejado

sobre Homero, então sim, nós estamos

falando sobre o mesmo Eurípides.

 

 

GABRIELLE

Mas isso é....  Por que ele estava na

festa? Isso não faz nenhum sentido.

 

Xena dá de ombros.

 

XENA

Talvez ele não tenha conseguido entrar como

bardo. Decidiu se insinuar com os ricos

mercadores em vez disso.

 

GABRIELLE

Não, Xena. Ele não é desse jeito. Ele é....

 

XENA

Já se passaram trinta anos, Gabrielle. É

aquela coisa de 'o tempo muda as pessoas'.

Mesmo as pessoas que você achava que conhecia.

 

Balançando a cabeça, ‘Gabrielle’ olha para o homem em questão, que aparenta estar se divertindo com Homero e seus compatriotas.

 

GABRIELLE

Não. Não Eurípides. Não acredito nisso.

Deve ter havido alguma outra razão de

ele estar naquela festa à noite passada.

 

Um leve sorriso surge em seu rosto.

 

GABRIELLE

(continua)

Eu aposto que ele estava lá pela mesma razão

de nós estarmos. Para descobrir o que estava

acontecendo e como parar isso, se ele pudesse.

Ele provavelmente se insinuou àqueles homens

para que pudesse espioná-los para Homero.

 

O rosto pode ser o de Gabrielle, mas o olhar de dúvida é todo a Xena. Vendo isso, o sorriso de Gabrielle se desvanece.

 

GABRIELLE

(continua)

Ao menos admita que essa é uma possibilidade.

 

 

Xena suspira, depois assente. O sorriso de Gabrielle volta.

 

XENA

Nós temos algumas próximas horas para confirmar

ou negar isso, então eu sugiro que continuemos.

 

GABRIELLE

Tudo bem. Vamos.... Ô-ou.

 

Xena olha para cima a tempo de ver o grupo inteiro de Homero se virar na direção delas, sorrindo e ondeando os braços em idênticos gestos de aceno.

 

HOMERO

Gabrielle!

 

TWICKENHAM

Gabrielle! Nós estamos indo à vila de

Stallonus para nos prepararmos para

esta noite! Venha conosco!

 

GABRIELLE

(sussurrando)

E agora?

 

Xena olha para os homens que esperam. É óbvio que eles não vão levar um 'vão pro Tártaros' como resposta.

 

XENA

Continue como nós planejamos. Vá até a

Academia e dê uma bisbilhotada. Eu

vou manter um olho no resto deles

e ver o que posso descobrir.

 

GABRIELLE

Ok. Encontro você atrás do

palco mais tarde, certo?

 

Xena assente.

 

GABRIELLE

(continua)

E, Xena? Não é que eu me importe da

minha reputação ser manchada, mas.... eu

realmente não acho que Atenas está pronta para

“Havia uma vez um homem de Arênis....”

 

 

Dando à sua parceira o mais destruidor dos olhares, Xena alonga seus passos largos, e logo está dentro do alcance dos velhos amigos de Gabrielle. Enquanto observa sua parceira habilmente evitar as mãos romanas e os dedos russos dos homens que a admiram, Gabrielle envia uma silenciosa prece de que aqueles mesmos homens viverão para ver a cerimônia com a maioria de seus membros intactos.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. ACADEMIA - DE TARDE

 

Gabrielle está caminhando na direção dos escritórios da administração. Ela está observando a multidão já reunida para a cerimônia e ela sabe que, na hora em que essa realmente começar, haverá muito pouco espaço para se manobrar entre a multidão.

 

Deslizando para dentro do setor principal da academia, que abrange todos os escritórios de administração e também a biblioteca, ela está aliviada de encontrá-lo pela maior parte deserto. Há alguns estudantes movendo-se confusamente à volta, mas eles não parecem estar muito interessados em nada, incluindo ela.

 

Ela tira um momento para ler uma placa na parede, que a direciona ao segundo andar e ao escritório do Chanceler.

 

GABRIELLE

É como tirar o doce de uma criança.

 

Olhando em volta para se certificar de que ninguém está à volta, Gabrielle sobe os degraus. Acima deles, ela descobre que o corredor está trancado por um grande portão.

 

GABRIELLE

(continua)

De uma criança birrenta.

 

Olhando para o portão, o qual vai do teto ao chão, ela considera seu próximo movimento. Ela se inclina para baixo e examina a tranca, coçando o queixo; um sorriso lentamente surge pelo seu rosto. Pegando a adaga de seu corpete, ela a coloca entre a tranca e o portão. Esforços para abrir a tranca usando tal alavanca estão provando não terem muito êxito.

 

GABRIELLE

(continua)

Eu deveria ter ouvido Autolycus quando ele

quis me dar aulas. É claro que as aulas

que ele estava oferecendo... bem....

 

Ela tenta novamente forçar a tranca e está ficando mais frustrada quando esta não mostra nenhum sinal de sair do lugar.

 

GABRIELLE

(continua)

Filho de um....

 

 

Puxando a faca para fora, ela bate o lado de seu punho contra o portão, em frustração, depois quase pula para fora de sua pele quando o portão se abre bem como você gostaria.

 

GABRIELLE

(continua)

... tio de centauro. Hehe. Cuidado,

Xena, eu simplesmente posso

decidir ficar com este embrulho.

 

Cuidadosamente, para não cortar nada precioso, ela coloca a adaga de volta e caminha pelo portão, certificando-se de fechá-lo atrás dela.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. VILA DE STALLONUS - DE TARDE

 

Um grande grupo de homens está reunido em uma densa multidão, corados, e apontando dedos acusatórios uns aos outros. Do lado de fora desse círculo, Xena está parada de pé, com os braços cruzados sobre o peito, olhos estreitados em perigosas aberturas, e batendo com a bota o pé no chão.

 

HOMERO

O que você acha, Gabrielle?

 

‘Gabrielle’ lhes dá a todos um longo e arrebatador olhar.

 

XENA

O que eu acho é que, se vocês não começarem

a agir como homens em vez de um bando

de meninos crescidos, eu vou começar a

estourar cabeças e acabar com isso.

 

Um alto murmúrio, pontuado por um engasgar ou dois, enche o aposento superlotado enquanto os homens reagem a seu comentário.

 

JOVEM HOMEM

(para um amigo)

Eu achava que era para

ela ser a boazinha.

 

XENA

Eu SOU a boazinha.

 

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. ACADEMIA - DE TARDE

 

Movendo-se cuidadosamente ao descer o longo corredor, Gabrielle é rápida ao olhar em torno de si apenas para se certificar que sua presença ainda não foi detectada. Pisando levemente, ela continua a descer o corredor, descobrindo-se um tanto impressionada com o quão fácil é se mover tão silenciosamente no corpo de Xena.

 

Em todos seus anos com Xena e sob a tutela das amazonas, ela aprendeu como se mover sem ser vista ou ouvida, mas ela tinha uma sensação de que tudo que Xena fazia era natural ao corpo que ela atualmente ocupa.

 

Ela pára bastante repentinamente, quase como se o corpo tivesse parado sozinho. Ela ouve um movimento ao final do corredor. Pressionando-se contra a parede, ela cuidadosamente espia atrás da esquina e descobre dois guardas parados no final do outro lado.

 

GABRIELLE

Perfeito. Simplesmente perfeito.

 

Respirando fundo e fechando os olhos, ela considera seu próximo movimento.

 

GABRIELLE

(continua)

Quais as probabilidades de eles estarem guardando

uma porta pela qual eu *não* queira passar?

 

Olhando em volta ,ela não encontra nada que ela ache que possa usar para chamar a atenção deles para fora de seus postos.

 

Movendo-se até a janela, ela olha para fora e descobre que há uma fina borda ao longo do lado do prédio, que poderia fazê-la se aproximar do aposento em questão.

 

GABRIELLE

(continua)

Nada é sempre fácil.

 

 

Escalando para fora até a borda, ela toma muito cuidado de se certificar de que tem apoio suficiente para o pé antes mesmo de tentar dar o primeiro passo. Deslizando o pé, ela se move pela borda, avançando lentamente para mais perto do que ela espera ser a janela que leva ao escritório. Quando ela coloca o pé para o próximo passo precário, tal parte da borda se esmigalha e ela cai.

 

Tendo reflexos que são luminosamente mais rápidos que ela, ela se agarra à borda, parando a queda, e se pendurando do lado do prédio pela ponta dos dedos. Olhando brevemente para baixo, ela decide que cair no chão de lá não está no topo de sua lista de objetivos para o dia.

 

Com um grunhido e tremenda concentração, ela se puxa para cima de volta e encontra apoio para o pé uma vez mais.

 

GABRIELLE

(continua)

Agora eu sei por que ela gosta de uma

boa massagem à noite. Controlar

esta coisa é uma tarefa difícil.

 

Agora, tentando fazer seu caminho sem escorregar novamente, ela pode sentir os músculos em seu corpo tensionando e des-tensionando enquanto ela se move. Finalmente alcançando a última janela do lado do prédio, ela empurra as folhas de madeira da janela para dentro, esperando que o estalar da madeira não desperte a atenção dos guardas do outro lado da porta.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. VILA DE STALLONUS - DE TARDE

 

Os homens finalmente se estabeleceram em grupos menores, cada um disputando pela honra de ser o primeiro a contar sua narrativa para o que promete ser uma massiva audiência. Homero, já tendo decidido isso por si mesmo, acena chamando‘Gabrielle’ para seu lado, junto a Twickenham.

 

HOMERO

Quando Merikus começar a falar, nós

faremos nossa entrada. Twickenham e eu

lideraremos uma coluna colocada à esquerda

e eu gostaria que você liderasse a

coluna da direita.

 

XENA

Ótimo.

 

Homero coloca uma mão no braço de ‘Gabrielle’.

 

HOMERO

Eu também gostaria que você contasse

a primeira narrativa, Gabrielle.

 

Xena se vira de olhos arregalados na direção de Homero, sua mente lutando para vir com algo apropriadamente do estilo de Gabrielle para dizer em resposta.

 

XENA

Isso... eu... Obrigada, Homero.

Por essa honra, mas...

 

 

HOMERO

Eu insisto, Gabrielle. Você é a melhor

de nós todos, e é simplesmente correto que

lhe seja dada a honra de apresentar o nosso

caso baseado na força de sua habilidade.

 

Xena olha fixo para Homero, verdadeiramente entre a cruz e a espada. Ela bem sabe que Gabrielle merece que essa honra seja concedida a ela. Mas ela também sabe que ela não é Gabrielle, e por sua aceitação ela corre o risco de transformar a honra em uma farsa. Todavia, seu orgulho pela habilidade e experiência de sua parceira a leva a responder da única forma que pode.

 

XENA

Eu aceito. Obrigada.

 

Homero e Twickenham ficam radiantes.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. SALA DO CHANCELER - FINAL DA TARDE

 

O som de passos vem através da porta, próximos à sala do chanceler.

 

Deixando-se cair para dentro, Gabrielle imediatamente se agacha, com olhos e ouvidos atentos a qualquer possibilidade de perigo ou ameaça. Seus olhos pousam nas sombras de bem do lado de fora da porta.

 

GABRIELLE

Apenas fiquem aí fora, rapazes. Vocês

não querem fazer com que eu tenha

que testar esta coisa, querem?

 

As sombras continuam atrás da porta enquanto Gabrielle espera, depois lentamente se afastam.

 

GABRIELLE

(continua)

Boa decisão.

 

Ficando de pé, ela se move pela sala. Um oscilante porta-vela vem perigosamente perto de batê-la na cabeça, mas ao último minuto os reflexos de Xena a evitam de atingi-lo.

 

GABRIELLE

(continua)

Ôua.

 

Ela se abaixa sob a candeia e se dirige a grande e enfeitada escrivaninha no centro da sala.

 

Olhando para a superfície dela, ela a descobre coberta de papéis e folheia entre eles.

 

GABRIELLE

(continua)

Ora, ora. O que

temos aqui?

 

Gabrielle ergue o pergaminho até a luz.

 

GABRIELLE

(continua)

Mil dinares, né?

Boa doação.

 

Gabrielle ergue outro pergaminho, quase idêntico.

 

GABRIELLE

(continua)

Dois mil. Eu não sabia que contar

histórias era tão lucrativo assim.

Talvez eu devesse.... Náá.

 

Balançando a cabeça em desgosto, ela toma um assento na grande cadeira e continua a examinar a escrivaninha. Nas costas, ela encontra um pequeno painel. Pressionando-o, a pequena porta se abre e ela retira vários pergaminhos. Desenrolando-os um por vez, ela lê cada um cuidadosamente até encontrar o que ela acha que está procurando. Quando seus olhos varrem o terceiro pergaminho, ela balança a cabeça, sem acreditar no que está vendo, em como as linhas do texto se formam em palavras que a chocam ao coração.

 

GABRIELLE

(continua)

(em um sussurro angustiado)

Não. Eurípides. Por quê?

 

 

Afastando os outros pergaminhos, ela toma o último que leu e o enfia em seu bracelete.

 

Levantando-se, ela olha para a janela relutantemente. Ela caminha até lá e espia para fora, depois, com um decisivo grunhido, ela volta e se dirige à porta.

 

GABRIELLE

(continua)

Vamos tentar a outra rota.

 

Gabrielle pára e olha para a escrivaninha. Ela balança a cabeça tristemente.

 

GABRIELLE

(continua)

Acho que você estava certa afinal, droga.

Tudo bem, Eurípides. Você e eu teremos

uma pequena conversa imediatamente

depois de eu me encontrar com Xena.

 

Indo até a porta, ela pára o tempo suficiente para ouvir os homens conversando do outro lado. Uma estranha expressão vem a seu rosto, e ela levanta as mãos, fechando-as e abrindo-as.

 

GABRIELLE

(continua)

Estranho...

 

Sua mão direita se curva a um punho solto, embora seus dedos estejam fechados em volta do cabo da espada.

 

Gabrielle toca o pulso de seu punho, depois lentamente deixa a mão cair. Ela olha para a porta, e seus olhos se estreitam, com um leve sorriso aparecendo em seu rosto.

 

Puxando a porta aberta, ela se encontra com dois guardas MUITO chocados.

 

GUARDA 1

(completamente surpreso)

Ei!

 

GABRIELLE

Olá amiguinhos. Bom dia

para uma soneca, não?

 

 

Antes que cada um deles possa reagir, ela os agarra a ambos pelo pescoço e bate suas cabeças juntas. Eles já estão moles quando são arrastados de volta à sala. Ela larga seus corpos e caminha de volta, olhando para eles atentamente.

 

GABRIELLE

(continua)

Uau. Isso foi diferente.

 

Gabrielle flexiona as mãos novamente, depois as esfrega juntas e volta a trabalhar, amarrando os homens juntos.

 

Fechando a porta, ela começa a voltar descendo pelo corredor, e deixa o prédio tão rapidamente e silenciosamente quanto o fez para entrar.

 

CORTA PARA:

 

CENA INT. VILA DE STALLONIUS - FINAL DA TARDE

 

Parada de pé em uma esquina sem luz, Xena observa enquanto Eurípides, que tem estado bast